O executivo estuda no intervalo, não na mesa
A meta era ampliar os canais de consumo do curso para levantar conversão e LTV. A pesquisa mostrou onde o aluno realmente estudava, e a aula foi para dentro do app.
- Papel
- Product Designer Pleno, depois Design System Manager
- Período
- 2022 — 2023
- Time
- 30+ devs, 1 PM e 6 designers
- Entregas
- Pesquisa, arquitetura de informação, aulas no app
O que mudou
40%
de aumento na conclusão de cursos
Taxa de conclusão comparada antes e depois do lançamento das aulas dentro do app
25%
de aumento no LTV
LTV da base acompanhado pelo time de produto nos meses seguintes ao lançamento
30%
de aumento em engajamento e retenção
Retorno à plataforma e tempo de aula assistida, medidos no próprio produto
01
O problema
O problema
A empresa vendia cursos para gestão e alta liderança, e a meta daquele ciclo não era uma tela: era ampliar os canais pelos quais o aluno consumia o conteúdo, para levantar conversão e LTV. Quem trouxe o problema foi o PM, e ele veio formulado como pergunta de negócio, não como pedido de design. Isso muda o trabalho desde o primeiro dia: não havia uma tela quebrada para consertar, havia uma hipótese de crescimento para testar.
O contexto era o oposto do que eu encontraria depois em outros lugares. Mais de trinta desenvolvedores, um PM e seis designers, ou seja, capacidade de construir de sobra e uma disputa real por prioridade. Nesse tamanho, propor a coisa errada custa caro, porque a fila é longa e o que entra empurra outra coisa para trás.
02
A pesquisa
A pesquisa
Aqui eu tinha acesso a usuário, e usei. A pesquisa foi feita com alunos de verdade, combinando entrevistas para entender a rotina de estudo, testes de conclusão de tarefa para ver onde o caminho atual travava e card sorting para descobrir como eles próprios agrupavam o conteúdo. A arquitetura de informação foi o eixo do trabalho: antes de decidir qualquer interface, eu precisava saber que modelo mental o aluno já trazia.
O dado que virou o projeto apareceu logo: mais de 60% dos alunos consumia o curso fora de casa, no celular, no tablet ou no notebook. A empresa vendia formação para executivo imaginando alguém sentado, com tempo reservado, e o aluno real estudava em pé, no deslocamento, no intervalo entre duas reuniões. O canal que a gente queria ampliar já existia na mão dele, e o produto é que não estava lá.
Mais de 60% dos alunos assistia às aulas fora de casa, no celular. O curso era vendido para executivo, e executivo estuda no intervalo do dia, não sentado na frente do computador.
03
A recomendação
A recomendação
Recomendei levar o acesso ao conteúdo das aulas para dentro do app, de forma nativa, em vez de continuar empurrando o aluno para outro ambiente. A pesquisa não parou na tela de vídeo: ela puxou junto o escopo que fazia a aula funcionar naquele contexto. Anotação durante a aula, porque quem estuda em movimento não tem caderno aberto ao lado. Aulas ao vivo, materiais complementares e notificações, para que o retorno ao estudo não dependesse da memória do aluno.
A feature inteira foi projetada a partir disso, e não da lista de desejos interna. Foi ela também que puxou a maior parte do Design System da empresa: a maioria dos componentes nasceu para viabilizar essa entrega, e não como um projeto paralelo de padronização. Com trinta e poucos desenvolvedores construindo em paralelo, era o sistema que garantia que a mesma aula parecesse a mesma aula em qualquer ponto do app.
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O resultado
O resultado
A conclusão de cursos subiu cerca de 40% depois que a aula passou a viver dentro do app, comparando a taxa antes e depois do lançamento. O engajamento e a retenção subiram por volta de 30%, medidos pelo retorno à plataforma e pelo tempo de aula efetivamente assistido. São dois números que andam juntos por um motivo simples: reduzir o atrito entre a intenção de estudar e a aula começar é o que faz alguém voltar no dia seguinte.
O número que fechou a conta para o negócio foi o LTV, que subiu cerca de 25%. Era exatamente a métrica que abriu o projeto, e é a razão de esse case existir: a pergunta que o PM trouxe no começo não era sobre aula no celular, era sobre quanto tempo o aluno fica com a gente. A aula no app foi o caminho, não o objetivo.
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O que eu levei
O que eu levei
Levo duas coisas, e as duas são sobre como o trabalho circula, não sobre método. A primeira é alinhar expectativa com produto e com o PM antes, e não durante. Num time desse tamanho, pesquisa boa que chega fora do momento da decisão vira documento, e documento não muda roadmap.
A segunda é mais desconfortável e mudou como eu trabalho: entender a posição política do negócio antes de defender o design puro. Eu já tinha o dado do meu lado, mas dado não anda sozinho dentro de uma empresa. Ele precisa chegar na mesa certa, na hora em que aquela mesa está decidindo, e no formato que aquela mesa consegue usar. Design bem argumentado e mal posicionado perde para proposta pior e mais bem colocada, e isso não é injustiça do sistema, é parte do trabalho que eu não estava fazendo.